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Noites

Uma noite em Paris: ópera, jazz e palcos escondidos

Nosso diário · Leitura de 5 min

Ao cair da noite, Paris impõe uma escolha quase cruel: a maior densidade de palcos da Europa, da ópera imperial ao porão de jazz abobadado. Eis como nós escolhemos — e os segredos de bilheteria que mudam tudo.

As grandes casas, primeiro. A Opéra Garnier, ao menos uma vez, para um balé: é o monumento visto por dentro, teto de Chagall incluído. A Opéra Bastille, o grande palco lírico, fica a quinze minutos a pé da Joia, e lugares muito acessíveis são liberados on-line toda semana em operadeparis.fr, inclusive lugares de última hora na própria noite. A Philharmonie vale a viagem até a Villette pela acústica; o Théâtre des Champs-Élysées, mais intimista, para os grandes recitais.

Nossa religião local é o jazz. Paris é a sua segunda pátria há um século, e a rue des Lombards (três clubes em cinquenta metros, a doze minutos a pé da Joia) programa todas as noites o melhor da cena europeia. O ritual perfeito: reservar o primeiro set das 19h30 no Duc des Lombards e jantar depois. Ninguém pensa nisso cedo o bastante — agora você vai pensar.

E há a Paris confidencial da noite, a que preferimos: os concertos de música de câmara na Sainte-Chapelle à luz de velas ou na « nossa » igreja Saint-Paul, os cineclubes do Quartier Latin onde o filme é apresentado antes da sessão, as leituras nas livrarias do Marais, as noturnas dos museus. Para acompanhar tudo: o Officiel des spectacles, dois euros em qualquer banca: o semanário de papel continua imbatível, e o gesto é deliciosamente parisiense.

A arte da noite está no seu desfecho: a última taça num bar aconchegante do alto Marais, ou simplesmente a pont de la Tournelle à meia-noite, quando a Torre Eiffel cintila uma última vez. Depois, dez minutos a pé, e você está em casa. É toda a diferença entre visitar Paris e habitá-la.

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