Rodin, Carnavalet, Picasso: os museus pelo olhar dos habitués
Os visitantes fazem fila no Louvre no sábado às 14 horas. Nós os compreendemos, temos pena deles, e escrevemos este artigo para que você nunca esteja nessa fila. Um mês em Paris faz você mudar de lado: eis como praticamos os nossos museus — como vizinhos.
Nossos três fiéis, primeiro. O Carnavalet, a cinco minutos da Joia: a história de Paris em dois palacetes, com as coleções permanentes gratuitas — o que muda tudo, porque se entra para ver três salas e se sai pelo jardim, como quem passa na casa de um amigo. O Picasso, no hôtel Salé, guarda-se para o fim do dia, quando os grupos já partiram e a escadaria de honra reencontra o silêncio. E, a partir do Refúgio de Paz, o Museu Rodin continua sendo o nosso segredo preferido: o acesso apenas aos jardins custa poucos euros, e você tem O Pensador, Os Burgueses de Calais e três hectares de roseirais quase desertos na abertura.
As estratégias que funcionam. As noturnas, primeiro: o Pompidou até as 21h todas as noites, o Louvre na sexta até as 21h45. Um Louvre de sexta à noite, ala Richelieu, não tem nada a ver com um Louvre de sábado à tarde; é o mesmo prédio e um outro mundo. No primeiro domingo do mês, os museus nacionais são gratuitos: vá na abertura, nunca depois do almoço. A Orangerie durante a semana às 9h, quando as Ninfeias pertencem apenas a um punhado de silenciosos.
Mas o verdadeiro luxo da estadia longa é o direito de voltar. Rever a mesma sala duas vezes. Ficar vinte minutos diante de uma única obra. Abandonar um museu ao fim de uma hora, sem culpa, porque voltaremos na quinta. É assim que os parisienses sempre praticaram seus museus — como vizinhos, e não como peregrinos — e é exatamente isso que o seu mês oferece a você.